quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

O fim e o começo

Tudo que conhecemos, à exceção do extensivo universo, começa e termina. Assim sendo, obedecendo a esta regra transcendental, chegou ao fim no último domingo, dia 14 de dezembro, a VIII mostra de teatro da UFRJ. Na noite chuvosa deste final de semana apresentou-se gloriosa a última peça desta frutífera leva, a “Ameixa gorda de puro caldo que te inunda de doçura”. Se troféus fossem distribuídos, esta montagem levaria sem dúvida, neste semestre, o premio pelo nome mais curioso.

Entre nós, alunos-jornalistas, na hora de dividir as pautas da revista (feita para a mostra), o título inusitado provocou risos, dúvidas e espanto. Uma ameixa gorda de quê? Sobre o quê é este texto? Mas as perguntas não se limitaram a esta peça. Dos nove embriões de espetáculos que tínhamos em mãos, ainda em agosto, pouco sabíamos além dos nomes escritos em uma folha de papel. Para descobrir mais, fizemos encontros, entrevistas, pesquisas, conhecemos a galera envolvida com cada montagem...

Assim, aos poucos, fomos descobrindo o teatro, este teatro que sempre esteve ali tão pertinho de nós, nos corredores da Escola de Comunicação, e que pouco conhecíamos. Para mim, este foi um dos retornos mais bacanas de ter me inscrito nesta matéria de revista-laboratório. Quantos anos freqüentei a faculdade sem saber nada do curso de direção teatral? Quantos anos passei ali sem praticamente nenhum contato apesar de compartilhar o mesmo espaço físico? Foi uma grata surpresa, uma novidade quando já não esperava nenhuma após tantos anos de UFRJ. Às vésperas de deixar para trás a vida de universitária me deparei com este novo mundo dentro daquele universo já conhecido, exaurido e esperado. Bacana. Se produzir uma revista já foi uma tarefa legal, o ponto alto foi este novo encontro.

E o meu encontro foi com o pessoal da peça “Chá gelado das cinco”. Assim conheci o diretor, os atores, descobri que o João do Rio (autor do texto original) também escreveu peças teatrais e que os alunos de belas artes cuidam de cenário e figurino. E descobri por tabela o trabalho que dá coordenar tudo isso. Após estes meses de contato, eu aguardava contente o desfecho final deste processo, que seria a encenação oficial da montagem. Com bastante antecedência anotei os dias na minha agenda e aguardei. E ai vem a contradição: não vi a peça. No meu caso os culpados não foram o transito, o ônibus ou o atraso, como descreveram alguns colegas aqui no blog. Um verdadeiro caminhão de acontecimentos pessoais me atropelou nas últimas semanas e fez com que eu fosse riscando um a um os três dias previstos de exibição. É, fica então para mim a lição de que de fato nem tudo sai como previsto e desejado. A vida é mais faceira do que parece ser, e isso já dizia Nelson Rodrigues, também presente - através de seu texto “Perdoa-me por me traíres” - nestes dias de festa da mostra. Ano que vem tem mais.


Por Joana Cidade

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Pontualidade faz parte!

Uma missão: cobrir a Mostra de Teatro da UFRJ. Bem, a revista já estava pronta (e linda – diga-se de passagem!). O único trabalho agora seria assistir a uma das peças de teatro. Seria apenas cobrir o factual. Refletir sobre a produção dos alunos de Direção Teatral e jogar na roda da grande Rede. Missão deliciosa afinal gosto muito de teatro.
Quando essa pauta foi passada já imaginava: devo entrevistar algum transeunte. De preferência que não seja parente de aluno etc e tal. Quem sabe um mais neutro, assim poderia obter um depoimento menos parcial. Entre idas e vindas na Eco, o encontro com a Sala Vianinha – um espetáculo a parte. As luzes e a câmera já estavam a postos faltava apenas a ação marcada para horas mais tarde.
“Te encontro nessa noite!” - afirmei sorridente para um dos professores. Tinha tanta certeza que estaria na hora marcada como que respirava. Tudo bem! A hora da missão deliciosa chegava e eu comecei a me aprontar. Tudo a postos! Como todo bom jornalista seguindo para reportagem precisava de um motorista. O selecionado: meu pai.
Saindo de São Gonçalo a noite, para a Urca, nada como um bom charme de filha. Me aproveitei! Ele topando, partimos rumo a Mostra de Teatro da UFRJ. Um engarrafamento aqui, outro acolá, chego na Eco em tempo recorde... apenas 10 minutos de atraso. Pensei! Doce ilusão a minha.
Esse tempo me rendeu a área vip externa da Sala Vianinha. Da porta para frente, o espetáculo acontecia. Da porta para trás, eu não acreditava que estava do lado de fora. Bastaram uns cinco minutos, e a ficha caiu. Afinal, eu havia me atrasado. Essa era a verdade. Não bastavam as minhas explicações. As “meninas” da portaria estavam certas.
“Mas estou cobrindo a Mostra” – retruquei com uma delas.
“É, mas não posso fazer nada por você!” – respondeu-me na mesma hora.
Confesso que pontualidade não é um traço marcante em mim, mas me esforcei tanto. Não poderia acreditar nisso. A missão deliciosa foi impossível. Ah se o tempo não passasse! Na verdade, nunca pensei como 10 minutos poderiam ser tão imprescindíveis. Mas são. Por isso existe a indicação do horário, para desligar o celular, para não comer durante o espetáculo. Posso não ter conseguido assistir a peça, mas aprendi uma lição: pontualidade faz parte de um bom espetáculo!

A carne vermelha da libertação



Pelo menos duas foram as vezes em que a melancia apareceu ligada ao prazer sensual no mundo do cinema. Na antológica orgia que encerra Oh! Rebuceteio, pornochanchada de Cláudio Cunha de 1984, um dos personagens agarra uma das frutas e, como se rompesse com todos os entraves do desejo, penetra através de sua grossa casca, em uma close dificilmente esquecido por quem já assistiu.

Em O Sabor da Melancia, de 2005, por sua vez, a fruta representa o próprio amor, sofrendo, tal qual o sentimento, maus tratos e tentativas de comercialização a preço baixo. Em uma das primeiras cenas da obra de Tsai Ming-Liang, o vegetal vive uma espécie íntima de relação simbiótica com uma das personagens, mas é tratado de modo mecânico e rude. No final do filme, acaba por encontrar uma redenção, mas até lá passa por poucas e boas.

Desconhecedor de teatro, não posso falar a respeito da presença do vegetal nesta arte, mas sei que nunca vi uma melancia em um momento de tanta alegria e liberdade quanto em Ameixa Gorda de Puro Caldo que Te Inunda de Doçura. Com suas personagens/mulheres verdadeiras e fortes, a peça de Cecília Carvalhal sobre o universo feminino aborda questões que vão muito além das usuais divagações sobre a profundidade inesgotável da melhor metade da humanidade, e fala sobre as dores, sonhos, e, por que não, baixezas delas com beleza e pungência. É somente quando se refestelam nas melancias, no entanto, que as protagonistas se realizam plenamente enquanto mulheres, mandando às favas as normas de bom comportamento e se enlambuzando ao mesmo tempo em que devoram com voracidade a carne vermelha e suculenta. A cena com as cinco belas atrizes, vale dizer, exala muito mais lascívia do que as outras citadas, com um destaque especial para a pura mas marota Sara Hanna, que recebe a chuva de caldo no rosto de modo surpreso e alegre, e deixa claro que aquilo tudo muito lhe agrada. Muito por ela, mas na verdade por todas elas, a maior vontade depois da peça é fazer como as personagens em sua última participação e sair por aí gritando êêê com excitação e felicidade.


André Costa

Pontualidade faz parte!


Uma missão: cobrir a Mostra de Teatro da UFRJ. Bem, a revista já estava pronta (e linda – diga-se de passagem!). O único trabalho agora seria assistir a uma das peças de teatro. Seria apenas cobrir o factual. Refletir sobre a produção dos alunos de Direção Teatral e jogar na roda da grande Rede. Missão deliciosa afinal gosto muito de teatro.
Quando essa pauta foi passada já imaginava: devo entrevistar algum transeunte. De preferência que não seja parente de aluno etc e tal. Quem sabe um mais neutro, assim poderia obter um depoimento menos parcial. Entre idas e vindas na Eco, o encontro com a Sala Vianinha – um espetáculo a parte. As luzes e a câmera já estavam a postos faltava apenas a ação marcada para horas mais tarde.
“Te encontro nessa noite!” - afirmei sorridente para um dos professores. Tinha tanta certeza que estaria na hora marcada como que respirava. Tudo bem! A hora da missão deliciosa chegava e eu comecei a me aprontar. Tudo a postos! Como todo bom jornalista seguindo para reportagem precisava de um motorista. O selecionado: meu pai.
Saindo de São Gonçalo a noite, para a Urca, nada como um bom charme de filha. Me aproveitei! Ele topando, partimos rumo a Mostra de Teatro da UFRJ. Um engarrafamento aqui, outro acolá, chego na Eco em tempo recorde... apenas 10 minutos de atraso. Pensei! Doce ilusão a minha.
Esse tempo me rendeu a área vip externa da Sala Vianinha. Da porta para frente, o espetáculo acontecia. Da porta para trás, eu não acreditava que estava do lado de fora. Bastaram uns cinco minutos, e a ficha caiu. Afinal, eu havia me atrasado. Essa era a verdade. Não bastavam as minhas explicações. As “meninas” da portaria estavam certas.
“Mas estou cobrindo a Mostra” – retruquei com uma delas.
“É, mas não posso fazer nada por você!” – respondeu-me na mesma hora.
Confesso que pontualidade não é um traço marcante em mim, mas me esforcei tanto. Não poderia acreditar nisso. A missão deliciosa foi impossível. Ah se o tempo não passasse! Na verdade, nunca pensei como 10 minutos poderiam ser tão imprescindíveis. Mas são. Por isso existe a indicação do horário, para desligar o celular, para não comer durante o espetáculo. Posso não ter conseguido assistir a peça, mas aprendi uma lição: pontualidade faz parte de um bom espetáculo!
Por Gláucia Montes

Ameixa gorda, sem o puro caldo


Assim como Thaís, também me programei para assistir à peça de Cecília Carvalhal. Ela no sábado, eu no domingo. Pois bem, reuni minhas curiosidades sobre a peça a algumas amigas e segui para a UFRJ. O destino era a sala Vianinha, ou melhor, o útero materno.

A caminho debatíamos sobre as mulheres, seus conflitos, sua força, a propósito do símbolo Madonna, na ocasião em breve turnê pelo Rio. Logo aí repousava o perigo.

Ainda que tivéssemos saído com duas horas de antecedência, os minutos pareciam não render nada em meio ao trânsito que contemplava a Barra, Leblon e quiçá Copacabana, em virtude da presença da cantora. Nada que o famoso já relatado volta-ao-mundo 2113 não pudesse agravar.

“Corre, corre, senão vão perder a peça...” Alertava um dos seguranças da Universidade, exatamente às 20:07. A previsão dele estava errada. Embora corrêssemos e chegássemos na porta da ECO às 20:10, perdemos. A portas fechadas e nenhum sinal de vida, o Palácio Universitário parecia calar-se para abrigar o universo feminino.

Dali, sem mais o que fazer, as amigas, tais como as atrizes da peça da jovem Cecília, partimos para a continuidade de nossa divagação sobre as mulheres. Só que num rodízio de pizza. Lá pelas tantas uma das jovenzinhas que deu de cara na porta abrilhanta a noite: “É, hoje foi dia de ameixa gorda mesmo... Só falta o puro caldo. Moço, traz um pizza de chocolate...”

Por Gabriela Costa.

Simples e com bom gosto

“Ao Vento” conseguiu fazer o público parar para pensar e valorizar simples momentos que fazem a vida como ela é. Os ensaios que acompanhei antes de sua estréia não deixaram clara a intenção da diretora Aline França em relação à mensagem que gostaria de passar. Mas já mostravam a energia, sintonia e cumplicidade dos atores, que se fizeram presente também na apresentação. O admirável foi o orgulho dos alunos e diretores de Direção Teatral por estarem finalmente em seu espaço, lugar conquistado depois de muita luta e contestação, a Sala Vianinha. Com certeza, esse acontecimento para eles vai contar muitos pontos na avaliação do nível de felicidade.

Pensar que acontecimentos simples, momentos de felicidade, são uma junção dessa tão buscada fonte de prazer, nos faz pensar que é possível realizar grandes coisas e dizer “Eu sou feliz”. Sem motivo, sem hora. Apenas por que eu vivi momentos que me permitem reconhecer isso. Assisti a peça com meu marido e o assunto tratado nela rendeu longas conversas no caminho tão longo para a casa, em Jacarepaguá. Espero, realmente, que todos que assistiram e prestigiaram a obra da colega tenham tido a mesma ou melhor reação que nós. E, concordo: a felicidade está nos pequenos momentos, mesmo que simples. Por Vivianne Stutz

Mulheres, para todos os públicos

Por ter sido a aluna/jornalista encarregada de cobrir os ensaios de Cecília Carvalhal, fui assistir ao espetáculo após já ter lido o roteiro e (quase) todas as falas da peça. Mas nem por isso Ameixa Gorda de Puro Caldo que te Inunda de Doçura deixou de me surpreender.
Eu já sabia que, além de ter um nome inusitado, a peça trataria de desvendar um pouco do universo feminino, que seria uma mistura de música e interpretação e que apresentaria tudo isso através de textos já conhecidos e de experiências das próprias atrizes. Mas tudo isso não era suficiente para que as idéias – aparentemente mirabolantes – da diretora tomassem alguma forma na minha cabeça.
Primeiro, para ver a peça, o público teria que atravessar um canal vaginal e se instalar no útero de uma mulher (que representa todas nós) para assistir ao “nascimento” das atrizes e o conseqüente início do espetáculo. Só isso para mim já era inconcebível, e ver como a equipe de cenografia conseguiu – na medida do possível, é claro – colocar a idéia em prática com tanto profissionalismo, foi uma surpresa muito agradável.
As atrizes, apesar de jovens, não deixaram a desejar em suas interpretações e conseguiram transitar com naturalidade de cenas de humor, como a conversa de Eva com Adão ao telefone, para cenas de puro drama, como a carta de Olga Benário à sua filha. As chamadas “Interferências”, nas quais as meninas contavam relatos de experiências pessoais, foram um atrativo a parte, e aprovado pelo público.
- As atrizes são o máximo. Foram ousadas e exploraram bem o tema. Quando elas abriram as caixas que estavam espalhadas pelo cenário e retiraram aqueles pertences, eu vi como se fosse a cabeça de cada uma, mostrando o que cada menina tem dentro de si – afirma o estudante Felipe Leitão, que estava na platéia da segunda apresentação de Ameixa Gorda.
Cecília conseguiu tirar do papel e colocar em prática tudo o que havia idealizado, mostrando um espetáculo bem diferente do que estamos acostumados a assistir. Tenho certeza de que Ameixa Gorda fechou com muita autoridade a série de espetáculos apresentados na Mostra de Teatro da UFRJ. Sucesso a todos os diretores recém-formados!

Por Thaís Meinicke

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Enfim: Perdoe-me por me traíres


Depois da ousadia de promover um ensaio num “Hotél - Bordél”, eu não tinha dúvidas de que a diretora Michelle Ferreira envolveria com sucesso a platéia em seu espetáculo na íntegra de “Perdoe-me por me traíres”.


O cenário simples estava exatamente como prometido: infiltrações, e mofo para dar alusão à degradação do lar de uma família hipócrita.

Entretanto, fora isso e a cena no Bordel de Madame Luba, fui surpreendida e levada pela encenação assim como todos na platéia – jogando por água abaixo toda a minha função de aluna-jornalista na Vianinha. Na apresentação, eu era público.

A iluminação, trilha sonora e figurino facilitavam a viagem à década de 50, nos tempos em que matar aula era “fazer gazeta” – um verdadeiro crime se praticado por moças de família. Motivo de morte, caso o “fazer gazeta” significasse ter tempo para se entregar à prostituição.

Era o caso de Glorinha – personagem principal da tragédia. O espetáculo girou em torno da sua iniciação na prostituição, do medo que tinha do tio que a criava e do passado de sua família.

Como já havia mencionado na revista, todos os elementos de Nelson Rodrigues estavam presentes na peça: Traição, pedofilia, prostituição e falta de ética eram os ingredientes principais da trama delineados com o talento dos atores.

As atuações tinham a emoção de intérpretes profissionais. Com destaque para a cena do aborto que unia o ambiente da cozinha com uma sala de cirurgia. Bem pensada, a sintonia entre “cozinheira- enfermeira” e “médico- açougueiro”, arrancou boas risadas mesmo sendo o ato, o momento da morte de Nair (amiga de Glorinha). Tenho também que ressaltar o talento da enfermeira que fez – do seu ritual de tentativa de “ressuscitação” de Nair – uma das partes mais hilárias do espetáculo.
Esqueci o nome da atriz. Não apurei na hora. Não a entrevistei. Como disse, na peça eu era público, e tirando os familiares e amigos que a conheciam, eu sei tanto dela quanto o restante da platéia: Ela era a enfermeira.

De certo, o espetáculo mostrou a nova e talentosa geração de atores e diretores do nosso teatro.

Após assistir ao espetáculo na íntegra, mais uma vez não tenho dúvidas de que eles envolverão com sucesso, um público cada vez maior ao longo de suas carreiras.

Perdoe-me por me atrasares

Ao longo desses três anos de graduação, carrego na bagagem centenas de histórias de viagens de ônibus, típicas de uma estudante sem carro e que mora a quilômetros de distância da faculdade. Atrasos, discussão com motoristas, engarrafamentos e passageiros que insistem em puxar assunto durante o trajeto, fazem parte do meu roteiro.
No dia em que escolhi assistir a Peça Perdoe-me por me traíres, não podia ser diferente.
Se o espetáculo reúne todos os elementos de Nelson Rodrigues, a “tragédia em três atos” da minha viagem reuniu todos os transtornos de um passeio no coletivo. A começar pelo famoso vácuo seguido pelo palavrão, que se dá quando o sujeito estica a mão para dar sinal e o motorista ignora sua presença no ponto de ônibus.

No primeiro ato, peguei o turístico 2113 – Castelo –Taquara Via Zona Sul e tudo indicava que o trajeto seria tranqüilo até chegarmos ao Rio Centro, onde acontecia a 48ª edição da Feira da Providência. O motorista então para o ônibus para esperar os felizes visitantes saírem do evento.
- “Amigo, vai demorar muito?”
- Não.
-“temos mesmo que ficar esperando o pessoal sair da feira?
- “São ordens da prefeitura”
- Ah sim. @*#¨*!$

Tempos depois eis que o fiscal libera o motorista que sai com o ônibus seguindo em direção ao Autódromo. Lá, avistado o engarrafamento quilométrico, tem início o segundo ato:
- “O que é isso? Acidente?”
- “Não, o show da banda Queen.” (esse é o momento em que os passageiros começam a se falar).
- “Queen sem Fred Mercury não é Queen”
- “Menina, não se esquece de me avisar quando chegar ao Rio Desing”.

O chato de engarrafamentos, filas em bancos e salas de espera de consultório, é que as pessoas não conseguem ficar ansiosas sozinhas. Elas têm necessidade de compartilhar o desespero da espera, com os outros igualmente desesperados. È como se precisassem desabafar e ao mesmo tempo se consolar.
Porque não há metrô na Zona Oeste? R$ 461 milhões gastos com a cidade da música pela prefeitura... Podiam ter feito um metrô...

O terceiro ato da viagem termina exatamente no posto 3 da Praia da Barra da Tijuca. Às 19h40, o humor e a paciência já não eram os mesmo que eu carregava quando sai de far far away.
“A estudante do lotação” desce do “palco motorizado”, sem palmas, debaixo de chuva. Volto pra casa em mais um dia de “A vida no ônibus como ela é”.
Fim da tragédia...

Parafraseando o desfecho do texto do Pedro: Merda pra mim!

domingo, 14 de dezembro de 2008

Melancia de puro caldo que nos inunda de doçura

Pela revista À Mostra já sabíamos: entraríamos na sala Vianinha através de um canal vaginal. Meu Deus, pensei, como será isso? Com esse nome extenso meio sem nexo (Ameixa gorda de puro que te inunda de doçura) e mais o detalhe dessa entrada mirabolante, essa foi a peça que mais me chamou atenção. Por ter sido responsável pelos textos iniciais da revista, ou seja, não participei das páginas de “impressões”, me vali de meu direito de escolha: é sobre essa que escreverei.
Não sabia nada sobre o espetáculo além do que Thais (a aluna-jornalista que acompanhou os ensaios) contava em aula: nome, canal vaginal e universo feminino. Fui ver o resultado dessa mistura.
Vamos logo ao que, provavelmente, chama mais a atenção do leitor desse blog: o canal vaginal. Bem simples, eu diria. Meio curto de comprimento, meio cabana. Mas isso é detalhe. E dos pequenos. A peça de Cecília Carvalhal me provou ser muito mais que um nome e um canal vaginal.
Com cinco jovens e boas atrizes, a diretora mostrou um pouco dos muitos universos femininos que habitam nossa condição de mulher. Mostrou um pouco de mim, de você que está lendo (se você for mulher), das nossas mães, avós, amigas. Se não nos identificamos com aqueles relatos, por talvez não serem os nossos, conhecemos ou conheceremos uma mulher que se encaixa naquelas palavras, que vive imersa naqueles sentimentos interpretados. Independência, maternidade (precoce ou não), casamento, experiências héteros e homossexuais, os incômodos a que somos brindadas todos os meses... Enfim, histórias de mulheres, diferentes umas das outras, mas que sempre se enxergam como parecidas em algum momento de seus caminhos. Em meio à dança, textos leves e fortes, partes engraçadas e outras mais reflexivas, Cecília constrói um bonito mosaico feminino dentro do que todas nós temos em comum: o útero.
Que meus comentários não estraguem a peça dessa jovem formanda. Vai que Ameixa gorda de puro caldo que nos imunda de doçura ganha as peças dessa cidade? Meus aplausos torceram por isso.
Ah, leitor-espectador, não espere ameixas, e sim, melancias, em uma bonita performance que nos inunda de sorrisos.

Por Talita Duvanel

Fórmulas

Dizem que a primeira impressão é a que fica. Pois bem. Acompanhei alguns ensaios da peça HYXKO2 ou o Senhor precisa mesmo ir, professor? e estava ansiosa para conferir o resultado final. Com uma proposta diferente e ousada (porque não?), o grupo pretendia discutir as formas de se fazer teatro.
Ao entrar na sala Vianinha, o que chamava nossa atenção, logo de cara, era o cenário: colorido, vivo, cativante. Estava em perfeita sintonia com o lúdico e bem-humorado texto que iria ser apresentado em alguns instantes. A iluminação, é claro, também deu um toque especial.
O espetáculo correu muito bem e a apresentação foi um sucesso. No fim, aplausos para cá, gritos para lá e... peraí, fim? Quem disse? A mensagem de apresentação com agradecimentos, patrocinadores e parceiros se repete. A peça ia começar outra vez. Agora, no entanto, de forma diferente. Todo material utilizado é colocado no centro do palco. Não há figurino, nem personagens definidos. Não existem, também, elementos externos: um faz o telefone, o outro a campanhia, a garrafa.
Nesse segundo momento, temas da atualidade são incorporados ao texto, sempre com muito bom-humor, arrancando risadas da platéia. É isso mesmo, minha amiga dona de casa. Estava pensando que os principais temas da atualidade não seriam abordados? O show da Madonna, cinema, comerciais de televisão e coca-cola também fazem parte dessa peça. Quase sempre com aquela “vozinha” irritante e bastante atual de atendente de telemarketing.
No fim, mais aplausos e gritinhos. E primeira impressão confirmada. Ah, e uma dúvida: deu pra fazer teatro? Acho que sim. E com “t” maiúsculo.


Por Camila Salles

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

A verdadeira velha senhora

Você conhece esta mulher? Nem eu. Só sei que ela era a única pessoa da platéia que era da terceira idade, que chegou e saiu sozinha e que assistiu à peça em silêncio o tempo todo.

O olhar plácido e distante denuncia: quem sabe não será a verdadeira velha senhora, que resolveu fazer uma visitinha à Mostra de Teatro? Mistério...

A velha senhora visita a Vianinha

Ao contrário do meu colega Pedro Simões, cheguei à ECO e encontrei uma multidão à espera do espetáculo “A visita da velha senhora”. Um público jovem, impaciente e agarrado à nossa revista, À Mostra, que aguardava com curiosidade o momento de entrar na sala Oduvaldo Vianna Filho, a recém-inaugurada Vianinha.

Assim que cheguei e vi a cena, não pude conter o sentimento de orgulho da minha escola (que não acontece tão freqüentemente quanto eu gostaria). Pensei comigo mesma: “Finalmente, o teatro encontrou o seu espaço na UFRJ”.

E encontrou mesmo. A Vianinha foi um show à parte. A sala intimista ganhou a amplitude de uma cidade, Gullen, onde a tradicional obra do dramaturgo Friedrich Dürrenmatt é ambientada. A iluminação e a disposição do cenário também se destacaram e visivelmente contribuíram para que as duas horas de espetáculo passassem sem se sentir, tamanho era o envolvimento da platéia.

O público entrou na sala já com uma surpresa: chapéus de época, à moda européia, ocupavam alguns assentos. Ao longo de toda a peça, cada espectador estava ali, junto com os atores, julgando de fora e, ao mesmo tempo, de perto, os rumos que a história tomava.

Enquanto os protagonistas da peça, a velha senhora Clara Zahanassian, que volta milionária anos depois à cidade natal para se vingar de um antigo amor, Alfredo Schill, guiavam a trama, a diversão ficou por conta do elenco de apoio, que interpretava o prefeito, o padre, o professor, o policial, o médico e outros personagens que compunham organicamente a cidade. Eles arrancaram risadas com uma interpretação tragicômica caricaturada e muito bem humorada da situação.

Ficou curioso para saber mais? Confira abaixo fotos exclusivas do espetáculo.

Por Fabíola Bezerra



O público aguarda o início do espetáculo.



Os "homens de Gullen" renderam muito humor para a platéia.



A velha senhora em cena, interpretada pela atriz Maria Alencar.



O público aplaude de pé o elenco do espetáculo.