Tudo que conhecemos, à exceção do extensivo universo, começa e termina. Assim sendo, obedecendo a esta regra transcendental, chegou ao fim no último domingo, dia 14 de dezembro, a VIII mostra de teatro da UFRJ. Na noite chuvosa deste final de semana apresentou-se gloriosa a última peça desta frutífera leva, a “Ameixa gorda de puro caldo que te inunda de doçura”. Se troféus fossem distribuídos, esta montagem levaria sem dúvida, neste semestre, o premio pelo nome mais curioso.
Entre nós, alunos-jornalistas, na hora de dividir as pautas da revista (feita para a mostra), o título inusitado provocou risos, dúvidas e espanto. Uma ameixa gorda de quê? Sobre o quê é este texto? Mas as perguntas não se limitaram a esta peça. Dos nove embriões de espetáculos que tínhamos em mãos, ainda em agosto, pouco sabíamos além dos nomes escritos em uma folha de papel. Para descobrir mais, fizemos encontros, entrevistas, pesquisas, conhecemos a galera envolvida com cada montagem...
Assim, aos poucos, fomos descobrindo o teatro, este teatro que sempre esteve ali tão pertinho de nós, nos corredores da Escola de Comunicação, e que pouco conhecíamos. Para mim, este foi um dos retornos mais bacanas de ter me inscrito nesta matéria de revista-laboratório. Quantos anos freqüentei a faculdade sem saber nada do curso de direção teatral? Quantos anos passei ali sem praticamente nenhum contato apesar de compartilhar o mesmo espaço físico? Foi uma grata surpresa, uma novidade quando já não esperava nenhuma após tantos anos de UFRJ. Às vésperas de deixar para trás a vida de universitária me deparei com este novo mundo dentro daquele universo já conhecido, exaurido e esperado. Bacana. Se produzir uma revista já foi uma tarefa legal, o ponto alto foi este novo encontro.
E o meu encontro foi com o pessoal da peça “Chá gelado das cinco”. Assim conheci o diretor, os atores, descobri que o João do Rio (autor do texto original) também escreveu peças teatrais e que os alunos de belas artes cuidam de cenário e figurino. E descobri por tabela o trabalho que dá coordenar tudo isso. Após estes meses de contato, eu aguardava contente o desfecho final deste processo, que seria a encenação oficial da montagem. Com bastante antecedência anotei os dias na minha agenda e aguardei. E ai vem a contradição: não vi a peça. No meu caso os culpados não foram o transito, o ônibus ou o atraso, como descreveram alguns colegas aqui no blog. Um verdadeiro caminhão de acontecimentos pessoais me atropelou nas últimas semanas e fez com que eu fosse riscando um a um os três dias previstos de exibição. É, fica então para mim a lição de que de fato nem tudo sai como previsto e desejado. A vida é mais faceira do que parece ser, e isso já dizia Nelson Rodrigues, também presente - através de seu texto “Perdoa-me por me traíres” - nestes dias de festa da mostra. Ano que vem tem mais.
Por Joana Cidade

